O município de Barcelona, localizado no interior do Rio Grande do Norte e com menos de 4 mil habitantes, entrou no radar do Ministério Público do RN (MPRN) após registrar um gasto de R$ 1.126.669,12 com combustíveis apenas em 2025. O valor levantou suspeitas de irregularidades, especialmente diante do porte da cidade e da estrutura da frota municipal.
A investigação foi oficializada pelo MPRN por meio do Procedimento nº 02.23.2172.0000233/2025-28, instaurado no último dia 26 de agosto de 202. O objetivo do procedimento é apurar a regularidade e a legalidade dessas despesas com combustíveis, que já ultrapassam o orçamento anual de diversas secretarias municipais.
População pequena, gasto gigante
Segundo o IBGE, Barcelona (RN) tem uma população estimada em cerca de 3.986 habitantes. O volume de combustível adquirido, no entanto, está chamando atenção por ser desproporcional ao tamanho da frota e da malha viária do município.
Para se ter ideia, o valor gasto equivale a uma média de R$ 125 mil por mês em combustíveis, um número elevado até mesmo para municípios de médio porte.
O que diz o Ministério Público?
A investigação aberta pelo Ministério Público pode incluir:
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Solicitação de notas fiscais e contratos;
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Verificação de rotas e controle de abastecimento;
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Análise da compatibilidade entre o consumo e a frota existente;
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Identificação de possíveis atos de improbidade administrativa.
Caso sejam identificadas irregularidades, o MP poderá propor ações civis públicas, denúncias criminais, ou ainda exigir a devolução dos valores ao erário público.
Câmara de Vereadores silenciosa
A Câmara Municipal de Barcelona, composta por 9 vereadores e com um orçamento anual de pouco mais de R$ 800 mil, também tem cúmplice e omissa quanto à sua função fiscalizadora. Até o momento, não há registros públicos de questionamentos ou auditorias internas sobre essa despesa.
A ausência de posicionamento do legislativo municipal acende o alerta sobre a necessidade de maior transparência e controle no uso de recursos públicos.
Despesas com combustível em 2025
Fonte: Portal da Transparência
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